Há muito não escrevo por aqui e, agora, o que me inspira a voltar é trazer a voz de outra pessoa, minha aluna, Maria Rodrigues de Oliveira, estudante de Serviço Social na Universidade Veiga de Almeida. Vejam o que ela tem a dizer! Decidi publicar seu texto aqui por conta da riqueza de imagens e vivências nele contidas. A edição é minha.
Eu tenho muitas dificuldades em relacionamentos: sinto que falta algo em mim por não agradar as outras pessoas, como amiga ou colega. Falta segurança em minhas palavras ao transmitir o que desejo. Tenho medo de algo, não sei o que é, de verdade. Sinto medo de que essas pessoas me chamem a atenção por qualquer coisa que eu fale: não sei me impor ou responder na hora, dando a resposta certa quando me chamam a atenção. Sinto que estou sempre errada no que digo. Mesmo com meu filho não falo firme e ele sabe de minha fraqueza e faz a crítica de que não sei me comunicar. Toda hora diz que não gosta de mim e isso está me deixando muito triste. Fala que vai morar só e eu entro em conflito comigo mesma e me pergunto sobre onde errei com relação à educação dele.
Tive uma infância precária e meu pai me batia muito, especialmente por não cuidar de meus irmãos que trabalhavam na roça com minha família para ajudar meu pai a criar todos nós. Estudar, que nada! Era só trabalho. Como criança que era, queria brincar: nunca tive uma boneca, um par de sapatos, um vestido novo, etc.
Até que, um dia, fugi para Fortaleza e, lá, arrumei um trabalho em casa de família. Todo dinheiro que ganhava eu mandava para a minha mãe e, com esse rico dinheiro, ela comprava comida para todos. Quando ganhava roupas usadas, sapatos, eu mandava para eles. E comecei a estudar à noite: já sabendo fazer meu nome e ler, muito mal. Foi quando meu tio veio para o Rio de Janeiro e eu viajei para cá com ele. Chegando aqui, fui trabalhar em uma fábrica de azulejos de nome XXX.
Foi quando conheci meu marido, que morava na Ilha do Governador. Ele bebia muito, a ponto de ficar todas as tardes no bar com os colegas, enquanto eu ficava em casa. Até porque não gosto de ficar em bares.
Meu filho cresceu nesse clima de desarmonia, por causa da bebida, mas bem tratado pelo pai. Eu sempre mandava que ele fosse embora e o filho cresceu nesse convívio. Eu era jovem, bonita, acredito que tivesse ciúmes de mim por ser mais velho do que eu e nunca ter tido filhos com a primeira mulher.
O texto de Maria partiu do tema "Eu e a Redação" e acabou levando a outros textos em que ela reconstrói sua história, muito além do pedido.
domingo, 30 de maio de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
Para a mulher que cresce e floresce...
Querida mulher que está crescendo,
não importa se você tem quinze, dezesseis, dezenove ou vinte e poucos, algo dentro de você é criança e algo teima em tentar ser adulto. Dizem que você deveria ser mais adulta e te pedem para nunca esquecer a criança interior (sei bem como eu já me confundi com isso!). Pode ser que você até seja mais velha, mas se envolva com pessoas mais jovens e perceba diferenças irreconciliáveis (não que seja sempre o caso). Pode ser que você seja mais nova e se envolva com pessoas mais velhas, dizendo que quer as mesmas coisas e, no fundo, sabotando planos. Não importa! Seja bem vinda ao mundo do crescer.
Há um kilo de coisas que te dirão, às quais você jurará haver compreendido, repetirá como mantras ou frases de cabeçalho nas redes sociais em que participa e que, no entanto, na prática, parece não aplicar. São elas:
- Ame mais a você mesma, nunca se maltrate, encontre seu valor no mais íntimo e sagrado espaço dentro de você. Uma vez encontrada a paragem, visite-a de vez em quando. Ame-se tanto que nem mesmo o fato de haver se maltratado por uns tempos seja desculpa para deixar de voltar a se amar.
- Não se sacrifique, construa. Você não está nessa terra para provar para ninguém que é mais isso ou menos aquilo. Qualquer coisa que você encare como esforço extremo ou sacrifício é, provavelmente, uma combinação de esforço extremo e sacrifício (nada mais do que isso!). Isto quer dizer que não é amor, ideologia, religião, vocação, etc.
- Não acredite que o mundo te ataca e que há coisas que te impedem de ser ou fazer o que você quer. Procure, bem lá no fundo, pelos motivos pelos quais você mesma tem dificuldades de ser/fazer o que quer.
- Nunca acredite que vai esquecer de algo que aprendeu. Você aprende, aplica, em diferentes níveis, quase sempre, as mesmas coisas. Quando repetições acontecerem e erros se repetirem, ria de si mesma, tome um chá de sumiço e agradeça o fato de poder aprender mais. Até o dia em que a necessidade de mudar estiver pronta para nascer.
- Ninguém sabe ter filhos até tê-los. Não há momentos certos e errados para isso (e provavelmente para nenhuma outra coisa, mas isso está em debate). Você pode ter condições financeiras e não ter condições afetivas ou vice-versa. Mãe é somente aquela que não desiste mesmo quando se vê cometendo os mesmos erros que seus pais cometeram e que não se esconde, vai a luta e tenta sempre mudar para melhor.
- Nada é tão dramático quanto parece. Quando o drama for seu, respire e ria de si mesma. Quando for de outrem, seja solidária, converse, mas não creia que precisa identificar-se por questão de educação. Educação é dizer Bom dia, por favor e com licença. Chafurdar na lama alheia é estar incapacitado para se ajudar ou ajudar outra pessoa.
- Os modelos que você deve seguir são aqueles que vem de sorrisos, boas lembranças e de um sentir-se bem consigo mesmo. Esqueça a propaganda de margarina, a família nuclear, o Oscar e as meninas de capa de revista. Se você for capa de revista, casal ou atriz, lembre-se: existe todo um mundo lá fora, além do que você já construiu.
Você vai ouvir isso tudo, ler, ver em filmes, mas não vai acreditar. Vai ter que passar pelas experiências para comprovar por si mesma. Bem vinda ao mundo do empírico!
O que importa é que um dia tudo ficará mais claro e você reconhecerá suas necessidades mais profundas.
Aí começa a verdadeira aventura!
não importa se você tem quinze, dezesseis, dezenove ou vinte e poucos, algo dentro de você é criança e algo teima em tentar ser adulto. Dizem que você deveria ser mais adulta e te pedem para nunca esquecer a criança interior (sei bem como eu já me confundi com isso!). Pode ser que você até seja mais velha, mas se envolva com pessoas mais jovens e perceba diferenças irreconciliáveis (não que seja sempre o caso). Pode ser que você seja mais nova e se envolva com pessoas mais velhas, dizendo que quer as mesmas coisas e, no fundo, sabotando planos. Não importa! Seja bem vinda ao mundo do crescer.
Há um kilo de coisas que te dirão, às quais você jurará haver compreendido, repetirá como mantras ou frases de cabeçalho nas redes sociais em que participa e que, no entanto, na prática, parece não aplicar. São elas:
- Ame mais a você mesma, nunca se maltrate, encontre seu valor no mais íntimo e sagrado espaço dentro de você. Uma vez encontrada a paragem, visite-a de vez em quando. Ame-se tanto que nem mesmo o fato de haver se maltratado por uns tempos seja desculpa para deixar de voltar a se amar.
- Não se sacrifique, construa. Você não está nessa terra para provar para ninguém que é mais isso ou menos aquilo. Qualquer coisa que você encare como esforço extremo ou sacrifício é, provavelmente, uma combinação de esforço extremo e sacrifício (nada mais do que isso!). Isto quer dizer que não é amor, ideologia, religião, vocação, etc.
- Não acredite que o mundo te ataca e que há coisas que te impedem de ser ou fazer o que você quer. Procure, bem lá no fundo, pelos motivos pelos quais você mesma tem dificuldades de ser/fazer o que quer.
- Nunca acredite que vai esquecer de algo que aprendeu. Você aprende, aplica, em diferentes níveis, quase sempre, as mesmas coisas. Quando repetições acontecerem e erros se repetirem, ria de si mesma, tome um chá de sumiço e agradeça o fato de poder aprender mais. Até o dia em que a necessidade de mudar estiver pronta para nascer.
- Ninguém sabe ter filhos até tê-los. Não há momentos certos e errados para isso (e provavelmente para nenhuma outra coisa, mas isso está em debate). Você pode ter condições financeiras e não ter condições afetivas ou vice-versa. Mãe é somente aquela que não desiste mesmo quando se vê cometendo os mesmos erros que seus pais cometeram e que não se esconde, vai a luta e tenta sempre mudar para melhor.
- Nada é tão dramático quanto parece. Quando o drama for seu, respire e ria de si mesma. Quando for de outrem, seja solidária, converse, mas não creia que precisa identificar-se por questão de educação. Educação é dizer Bom dia, por favor e com licença. Chafurdar na lama alheia é estar incapacitado para se ajudar ou ajudar outra pessoa.
- Os modelos que você deve seguir são aqueles que vem de sorrisos, boas lembranças e de um sentir-se bem consigo mesmo. Esqueça a propaganda de margarina, a família nuclear, o Oscar e as meninas de capa de revista. Se você for capa de revista, casal ou atriz, lembre-se: existe todo um mundo lá fora, além do que você já construiu.
Você vai ouvir isso tudo, ler, ver em filmes, mas não vai acreditar. Vai ter que passar pelas experiências para comprovar por si mesma. Bem vinda ao mundo do empírico!
O que importa é que um dia tudo ficará mais claro e você reconhecerá suas necessidades mais profundas.
Aí começa a verdadeira aventura!
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