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domingo, 30 de maio de 2010

Relacionamentos: um relato de minha aluna Maria

Há muito não escrevo por aqui e, agora, o que me inspira a voltar é trazer a voz de outra pessoa, minha aluna, Maria Rodrigues de Oliveira, estudante de Serviço Social na Universidade Veiga de Almeida. Vejam o que ela tem a dizer! Decidi publicar seu texto aqui por conta da riqueza de imagens e vivências nele contidas. A edição é minha.

Eu tenho muitas dificuldades em relacionamentos: sinto que falta algo em mim por não agradar as outras pessoas, como amiga ou colega. Falta segurança em minhas palavras ao transmitir o que desejo. Tenho medo de algo, não sei o que é, de verdade. Sinto medo de que essas pessoas me chamem a atenção por qualquer coisa que eu fale: não sei me impor ou responder na hora, dando a resposta certa quando me chamam a atenção. Sinto que estou sempre errada no que digo. Mesmo com meu filho não falo firme e ele sabe de minha fraqueza e faz a crítica de que não sei me comunicar. Toda hora diz que não gosta de mim e isso está me deixando muito triste. Fala que vai morar só e eu entro em conflito comigo mesma e me pergunto sobre onde errei com relação à educação dele.

Tive uma infância precária e meu pai me batia muito, especialmente por não cuidar de meus irmãos que trabalhavam na roça com minha família para ajudar meu pai a criar todos nós. Estudar, que nada! Era só trabalho. Como criança que era, queria brincar: nunca tive uma boneca, um par de sapatos, um vestido novo, etc.

Até que, um dia, fugi para Fortaleza e, lá, arrumei um trabalho em casa de família. Todo dinheiro que ganhava eu mandava para a minha mãe e, com esse rico dinheiro, ela comprava comida para todos. Quando ganhava roupas usadas, sapatos, eu mandava para eles. E comecei a estudar à noite: já sabendo fazer meu nome e ler, muito mal. Foi quando meu tio veio para o Rio de Janeiro e eu viajei para cá com ele. Chegando aqui, fui trabalhar em uma fábrica de azulejos de nome XXX.

Foi quando conheci meu marido, que morava na Ilha do Governador. Ele bebia muito, a ponto de ficar todas as tardes no bar com os colegas, enquanto eu ficava em casa. Até porque não gosto de ficar em bares.

Meu filho cresceu nesse clima de desarmonia, por causa da bebida, mas bem tratado pelo pai. Eu sempre mandava que ele fosse embora e o filho cresceu nesse convívio. Eu era jovem, bonita, acredito que tivesse ciúmes de mim por ser mais velho do que eu e nunca ter tido filhos com a primeira mulher.



O texto de Maria partiu do tema "Eu e a Redação" e acabou levando a outros textos em que ela reconstrói sua história, muito além do pedido.

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